terça-feira, 13 de março de 2012

Cap.17 - Night of Hunter

Se aquela tinha grandes chances de ser sua última viagem, Daniel queria abandonar sua existência decentemente, queria encontrar a morte dirigindo uma harley-davidson. Daniel comprou um dos primeiros exemplares a sair, no início dos anos 1900, rodou por todo continente americano sobre ela, comprou outras coisas ao longo dos anos, mas a moto tinha um valor especial. Daniel era amigo de Arthur Davidson, um dos criadores da moto, um dos poucos humanos com os quais Daniel teve contato além do superficial, um amigo.
Ele caminhou pelas docas, na Praça Mauá, havia anos ele guardava ali suas coisas mais preciosas, as que tinham um valor mais importante para ele: a moto, jarros chineses presentes de antigos imperadores, espadas, armas, tinha até um par de baquetas que ele ganhou de Ringo Starr.
Abriu o container, uma nuvem de poeira emergiu de lá. Deu uma última olhada em suas coisas, presentes, aquisições, sua própria história e disse mesmo sem acreditar:
- Eu vou voltar.
Ligou a moto e um ronco sonoro ecoou pelo lugar, alguns vigias tentaram ver de onde vinha o barulho, mas só puderam ver um raio passando por eles. Um cavaleiro solitário em seu cavalo de metal. Uma jaqueta de couro muito surrada, jeans velhos, botas de couro e uma katana presa às costas, era tudo o que ele tinha, era muito mais do que ele precisava.
Levou apenas um dia até ele chegar ao estado de Goiás, dentro de pouco tempo ele estaria em Brasília, muito antes do previsto, muito antes do combinado com Bruna e Odin.
Um turbilhão de pensamentos passava por sua cabeça, o sol já se punha de novo no horizonte, ele gostava daquela sensação, o vento batendo em seu rosto, a liberdade, ele quase podia tocá-la. Acelerou mais, podia ouvir o ronco da moto, quase suplicando para não ir além daquele ponto, mas ele ignorava, ele precisava tocar a liberdade, precisava daquilo, uma última vez. Então ao longe, cortando seus pensamentos e sensações ele pôde ver. Parado na estrada, de pé, vestido como ele, mas com a diferença de que a figura tinha a espada em punho e apontando para ele.
Daniel freou, foi freando até quase parar de frente para a figura que o encarava, fazia muito, muito tempo desde o último encontro. Séculos talvez. Ele desceu da moto e desligou o motor, tirou a espada das costas e a segurou em posição de luta, talvez ele morresse antes do planejado... não, ele não podia, a garota precisava dele.
- Olá, irmão. - O desafiante olhou para Daniel, analisando com cuidado, planejanto, como um leão prestes a devorar sua presa.
- Olá Natanael. - Daniel disse devagar, com cuidado, a primeira lembrança do irmão aina o machucava.
- Você parece com pressa. - Natanael disse ironicamente - Espero não estar te atrasando.
- Sempre tenho tempo para uma reunião de família. O que você faz aqui?
- Bom... desde de que você me traiu por aquela mulher demônio no início dos tempos... Bom, quando o Pai reuniu minha essência novamente, você sabe muito bem o que eu te prometi: uma eternidade de sofrimento.
- Estou ciente disso. - Daniel disse - Mas que tal se você me aliviasse hoje, preciso matar uns principados.
Natanael armou a espada, colocou-se em defesa e partiu para o ataque, como um leopardo furioso, nada parecia poder detê-lo. Daniel preparou a defesa, se teria que lutar com o irmão que assim fosse, se precisava morrer pela mão dele, talvez fosse merecido, mas ele faria de tudo para evitar que fosse hoje.
O som do metal se chocando ecoou pela estrada. Daniel girou para a direita e tentou acertar um golpe nas costas de Natanael, mas o anjo percebeu a investida e lançou-se para trás. Natanael abriu suas asas e tentou uma investida aérea sobre o irmão, mas foi inútil, Daniel aprendera a se desviar daquelas investidas, ele se jogou no chão e rolou para o canto da pista, tudo o que ouviu foi o som da espada de Natanael contra o asfalto.
A luta seguia feroz, violenta, Natanael feriou Daniel no braço, deixando um filete de sangue escorrer, enquanto que Natanael tinha um pequeno filete escorrendo do supercílio, originado de um soco de Daniel enquanto o anjo estava com a guarda baixa.
Então se ouviu um disparo ao longe, uma arma, a bala atravessou o ombro de Natanael e o fez largar a espada. Daniel parou de atacar e procurou o dono do disparo.
Das sombras surgiram duas figuras medonhas, pareciam anjos, ou foram anjos, mas agora ao passavam de corpos mortificados. À frente deles estava um antigo conhecido de Daniel... Urano, o elemental. Ele segurava uma pistola e obviamente fôra ele que fizera o disparo.
- Isso é um assunto pessoal, Urano, eu resolvo. - Daniel gritou.
- Não acho que seja o caso. - Urano disse, sua voz estava diferente, uma aura negra parecia cobrir o elemental... uma aura infernal. - Primeiro vou deixar meus amigos aqui esfolarem seu amigo aí e depois eu vou arrebentar seus miolos e deixar eles espalhados na estrada.
- Você pode tentar.
Daniel não tinha parado pra pensar na situação, Urano estava do seu lado, por que então ele tinha dois demônios como guarda-costas? Espíritos escravos. Por que?
- Você quer me explicar o motivo disso, Urano? O que houve, você estava do nosso lado! - Daniel gritou.
- O Quinto Arcanjo roubou Gaia de mim! Ele tirou minha esposa, e agora tenho que salvar a humanidade? Tenho que ver o fruto da traição, o fruto da desgraça salvando todo o povo da terra? Encare os fatos! Seu Pai nos abandonou! Lúcifer fez uma oferta melhor e eu aceitei.
- Ele vai matá-lo logo depois que eliminar os arcanjos!
- Não se eu matar ele primeiro. - Urano falou decidido.
- Irmão, me dá uma licença? Um pequeno contratempo, mas já já continuamos de onde paramos. - Daniel disse para Natanael.
- Vá em frente, estarei esperando. - O anjo falou calmamente enquanto se apoiava em uma pedra na beira da estrada.
Daniel virou-se na direção do elemental e partiu para o ataque... o dia seria bem cheio e a noite agitada.













Continua.....................................

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