terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cap.16 - Satellite

Bruna partiu com Odin em direção à Brasília, Daniel disse que os encontraria mais tarde, tinha assuntos a resolver e não revelou mais detalhes. Então os dois pegaram um avião em direção à capital do país, ao chegarem receberam uma mensagem de Sarah, ela estava a caminho mas ainda demoraria por volta de 3 dias para chegar, estava muito longe dali e também precisava terminar seus assuntos.
Odin levou as malas para um hotel enquanto Bruna resolvia explorar a cidade, procurar mitos, lendas qualquer coisa que se referisse ao antigo El Dourado. Procurava em vão por uma biblioteca, estavam todas fechadas àquela hora, afinal já eram oito horas da noite. Entrou em um pequeno restaurante de esquina que a atraía pelo cheiro de um delicioso rodízio de pizzas.
Ligou para Odin e pediu para que ele a encontrasse no lugar, enquanto isso ia se deliciando com as pizzas. Enquanto começava a comer uma visão a perturbou, duas mesas de distância dela estava sentado um jovem, um pouco mais de 25 anos, vestia um terno Armani com um caimento perfeito, muito provavelmente um secretário ou acessor de algum executivo, ao seu lado um homem com mais idade, vestia um uniforme de gala da marinha e ao seu lado, a imagem que a aterrorizou, que a fez tremer, um homem que ela julgava estar morto há anos... um homem por volta de seus 50 anos, vestindo um terno de giz, cabelos negros despenteados... aquele era Asmodeus.
Ela começou a tremer ao perceber que ele a encarava, chamou um garçom e pediu para ele entregar uma mensagem para a garota. O garçom estranhou a mensagem, mas não questionou o homem a quem servia. Aproximou-se de Bruna e disse:
- O cavalheiro daquela mesa me pediu para lhe entregar uma mensagem, senhorita.
- Qual? - Ela tentava disfarçar o nervosismo.
- Bu.
Bruna olhou novamente para Asmodeus, ele estava sorrindo e olhando diretamente para ela, esperava sua reação. Ela tentou se recompor o máximo que pôde, levantou e caminhou em direção ao seu velho conhecido, ela estava desarmada, tinha apenas sua mágica, mas não podia arriscar a vida das outras pessoas ali, não sabia quem eram os homens com Asmodeus, humanos ou demônios?
Ao se aproximar, Asmodeus se levantou e puxou uma cadeira para que Bruna sentasse, ela sentou-se e começaram a falar... na verdade tudo o que ela conseguia dizer era " como?"
- Minha cara, o brutamontes que me acertou apenas me baniu deste plano, me enviou de volta ao inferno, onde tive tempo para me recuperar, pensar e cá entre nós, para aumentar o ódio que sinto por todos vocês macacos de estimação de Deus.
- Você sabe quem é aquele brutamontes? - Bruna arriscou.
- Suponho que seja Odin, a força do trovão, o elemental, estou correto minha dama? - O jovem na mesa falou, muito educado, mas ainda assim desdenhava um sorriso.
Bruna ficou sem palavras, eles sabiam quem ele era, mas já esperava por isso, elementais e demônios duelaram pelo controle da Terra há milênios. Ela observou os outros dois ocupantes da mesa, eles tinham a mesma sinistralidade no olhar que Asmodeus.
- Perdoe meu irmão, não foi nem um pouco educado ao não nos apresentar. - O jovem continuou falando e olhou para Asmodeus.
- Ora meu caro irmão, tenho meus motivos, essa garota lançou uma onda de chamas sobre mim, aquilo doeu. E só não a mato agora porque sei que vocês tem outros planos.
- Planos? Que planos? - Bruna estava ficando horrorizada.
- Nada com o que deva se preocupar agora, mortal. - O mais velho falou, o uniforme da marinha dava um tom mais solene à sua voz.
- Eu sou Astaroth - O jovem disse - e esse é Leviatã, concerteza já ouviu falar de nós em alguma cultura.
- Deuses pagãos. - Bruna murmurou, havia lido sobre eles durante seus estudos, eles usavam a magia negra, além de serem considerados por alguns como demônios e na cultura cristã, considerados príncipes infernais. Astaroth era reconhecido por sua vaidade e sempre retratado como um jovem orgulhoso e arrogante enquanto Leviatã tinha um ar ancestral, retratado como uma serpente das águas.
- Irônico não? Humanos nos adorarem por destruirmos seu planeta e sua espécie, acho vocês muito idiotas pra falar a verdade, entendo o porquê da revolta de Lúcifer. - Leviatã disse.
Bruna estava parada diante deles, calada, aterrorizada, três dos quatro príncipes infernais estavam diante dela, os seres mais poderosos na hierarquia infernal, obedecendo apenas a Lúcifer e a mais ninguém. Ela sentia as trevas emanarem dela, o medo, o terror, sentia-se sufocada e por um breve momento achou que fosse desmaiar, mas manteve-se firme.
- Está passando mal, minha cara? - Astaroth perguntou sarcástico.
- Ela está pálida. - Leviatã completou.
Asmodeus se limitou a rir, divertia-se com os irmãos, trava guerras com eles, mas eram irmãos afinal de contas. Filhos de Lúcifer com mulheres humanas, levados ao inferno, onde cresceram e se tornaram príncipes das trevas.
Bruna sentiu uma mão pesar sobre seu ombro, uma mão conhecida, ela chegou a se assustar, mas logo reconheceu Odin. Ele estava vestido como um caminhoneiro, usava um boné, mas ainda assim mantinha seu ar de dureza.
- Algum problema aqui, senhores? - Ele perguntou, levando a mão ao martelo que ainda pendia na cintura.
- Nenhum, velho amigo. Estávamos apenas conversando trivialidades. - Leviatã o olhou.
- Vocês... se conhecem? - Bruna perguntou.
- Lutamos uma ou duas vezes. - Leviatã admitiu.
- Vamos embora Bruna, temos coisas melhores a fazer. - Odin puxou a cadeira para que ela se levantasse.
Bruna se levantou, as pernas tremendo um pouco, caminhou apoiada em Odin, passos rápidos em direção à saída, precisava sair daquele lugar o mais rápido possível. Então Astaroth gritou da mesa:
- Não se preocupe querida, nós nos encontraremos em breve.



















Continua.........................................................................................

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