quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cap.13 - Forever Young

Daniel não era exatamente um humano, apesar de estar sem sua graça, apesar de seu invólucro mortal, ele ainda possuía a força de um anjo, ainda era capaz de se regenerar, mais lentamente do que os anjos, mas muito mais rápido do que os mortais. Entretanto era sujeito à morte como qualquer humano, ele não tinha uma definição própria, aqueles que sabiam da sua existência o chamavam de renegado. Renegado por anjos e homens, caminhando pelo planeta com um propósito que ninguém além dele conhecia.
Há alguns anos ele descobriu a existência de um grupo de seres ocultados por Deus e até mesmo pelo Diabo: os Elementais. Seres ancestrais, guardiães da Terra e de seu povo, responsáveis por civilizações, por deuses e heróis, fatos que mesmo com mais de 100 mil anos de vida, Daniel nunca imaginou ser possível.
Mas a história do renegado não era diferente da dos elementais, muito pelo contrário. Quando Deus criou o Jardim do Éden colocou como guardiães de suas portas dois querubins, anjos guerreiros, anjos de guarda. O nome de um desses anjos era Natanael e o outro era Daniel.
No começo haviam dois humanos no jardim, Adão e Lilith, a primeira mulher. Mas Lilith não era uma mulher comum, longos cabelos negros caíam em suas costas, ela era muito diferente do que Deus planejara para ser a mulher de Adão. Lilith recusava-se a aceitar Adão como seu esposo, então um dia, tentando fugir de seu marido, perdeu-se e foi parar no portão do jardim onde Natanael e Daniel guardavam a entrada.
Foi então que um pensamento passou pela cabeça de Lilith, somente poderia fugir de Adão se tivesse quem a socorresse. Ao olhar para os querubins, teve certeza de que ali estava sua chance. Ela se insinuou para ambos, seu corpo estava nu, ela chamava a atenção dos querubins que mesmo sendo anjos, estavam presos aos sentimentos carnais também.
A paixão tomou conta de Daniel, ele largou seu posto e decidiu entrar no jardim, decidido a possuir Lilith para si, como mulher. Ignorou os avisos de Natanael, empurrou o irmão para o lado, nada poderia detê-lo.
- Pare Daniel, ou eu mesmo terei que fazer isso. - Natanael disse.
- Você não pode me impedir, Natanael. Não ve que a muher que Deus deu a Adão não o quer? Não vê que é a mim que quer? Apenas estarei atendendo seus desejos! - Daniel gritou.
- Você não pode fazer isso! Sabe que é errado, sabe que foi assim que Lúcifer começou sua rebelião! Pare, é meu último aviso.
Mas Daniel não o ouviu, continuou sua marcha inalterada em direção aos portões. Natanael sacou sua espada e foi em direção ao querubim. Daniel previu o ataque e desviou e assim se iniciou uma luta, ambos chocavam suas espadas, trocavam socos, chutes.
Então por um breve momento, tomado pelo cansaço, Natanael baixou sua guarda. Daniel golpeou o irmão com o cabo da espada e o deixou desacordado no chão. Abriu os portões do Éden, encontrou Lilith o esperando, não resistiu ao impulso de sua carne e a possuiu, tomou a mulher de Adão e teve relações com ela, alheio a todas as consequências.
- Me leve com você, me leve com você pois Adão já não me aceitará de volta. Devemos fugir. - Lilith disse, agarrada ao corpo do anjo.
- Você será minha e somente minha, Lilith.
Levantaram-se e caminharam para fugir, mas foram impedidos. Em seu caminho estava Natanael, acordado e disposto a parar o irmão de quaquer forma.
- Ainda podemos limitar o dano, irmão. Entregue Lilith, seu erro será entendido e punido, mas a humana deve morrer!
Mais uma vez Daniel se recusou e novamente entraram em batalha. Uma batalha muito mais sangrenta, uma batalha pela vida ou pela morte. Lilith se escondeu, correu para dentro do jardim e de lá não mais retornou.
Enquanto Daniel, em um golpe impensado feriu Natanael e o matou. Finalmente caiu em si, entendeu seu erro, mas agora era tarde, estava feito, ele seria condenado. Logo após o acontecido o arcanjo Rafael surgiu cercado de sua tropa, eles levaram Daniel preso até a presença do Juiz. Sua pena foi pesada, sua sentença: permanecer nos calabouços do grande palácio celestial, torturado por mil anos, o responsável por sua tortura? O arcanjo Uriel, o inquisidor.
Lilith, como Daniel descobriu mais tarde, tentou matar Eva, mas falhou. Então foi visitada por Lúcifer com quem fez uma aliança, foi levada para as profundezas do inferno e lá se tornou rainha, entregando-se aos anjos caídos.
Após o período de tortura, Daniel foi recrutado pelo arcanjo Miguel, o príncipe dos anjos, onde lutou contra demônios em batalhas terrestres, sendo depois alocado para batalhas humanas, a fim de estudar o comportamento humano e a mantê-los sob controle. Na verdade era uma estratégia de Miguel para dar início à matança da humanidade, a criação dos anjos da morte.
Todas essas lembranças passavam pela cabeça de Daniel, ele jamais as esqueceria, nunca seria capaz de se perdoar por ter matado o irmão. De todos os erros que já cometera, matar Natanael era o pior, o mais imperdoável de todos.
Daniel caminhava com dificuldade de volta para casa, um velho apartamento em uma rua transversal à rua Voluntários da Pátria. Ao chegar em casa percebeu que a fechadura havia sido arrombada, alguém estava dentro do apartamento, ele podia sentir a presença, só não conseguia identificar.
Pegou a katana e colocou-se em posição de ataque, pronto para cortar qualquer invasor, de qualquer espécie, mortal ou imortal. Ao abrir a porta e entrar devagar pela sala não foi capaz de desviar do golpe que o atingiu em cheio no peito, uma pancada tão forte que o arremessou na parede oposta do corredor, fazendo ela rachar. A katana caiu no chão e Daniel ficou desacordado.

















Continua...................................................................

Nenhum comentário:

Postar um comentário