Das sombras surgiu uma figura medonha, parecia-se com um samurai, vestindo uma armadura prateada, com uma longa katana em uma das mãos, seus olhos pareciam tempestades, sua voz ecoava pela viela e fazia os vidros das janelas tremerem. Atrás dele, imersa em sombras estava Lilith, a rainha do inferno. Mesmo que ela não desse as caras, Daniel sabia que ela estava ali, na espreita e ele deveria tomar cuidado, nunca se pode confiar nem mesmo em sua própria sombra quando ela está por perto.
- Veio pra um café, um saquê, talvez? - Daniel perguntou.
Susanoo se irritou com a ironia do renegado e empunhou a espada na direção dele. Daniel também pôde perceber as sombras se estendendo atrás dele, tentando envolvê-lo. Aquilo era uma armadilha.
- Está sendo muito insolente, renegado! Ou eu deveria dizer mortal? - Susanoo respondeu.
- Posso até ser um mortal, mas nós dois sabemos que venceria de você com minha imortalidade ou não. - Daniel sorriu
Daniel não tinha muita saída, as duas saídas estavam bloqueadas, uma pelo filho de Odin, Susanoo e a outra pelas sombras de Lilith, que naquele momento o preocupavam mais que Susanoo. O filho de Odin era um revoltado, rebelou-se contra o pai e contra Deus após a proibição e os limites impostos aos elementais, juntou-se ao seu antigo rival Lúcifer e agora liderava suas fileiras contra anjos, elementais e humanos.
Susanoo avançou em direção a Daniel com a espada em punho, vinha rápido como um trovão e só deu a Daniel tempo de desviar do ataque. Daniel então se jogou para a parede onde tropeçou em uma lata de lixo. Daniel estava completamente desarmado, sua única opção foi esperar Susanoo se lançar para um novo ataque, mas dessa vez ele não desviou. Jogou a lata de lixo em cima de seu oponente e assim que Susanoo se distraiu, abaixando a guarda pela surpresa, Daniel se lançou pra cima dele acertando um soco bem embaixo do seu queixo fazendo o elmo se soltar e voar longe.
Os longos cabelos grisalhos de Susanoo caíram em suas costas, mas ele ainda não se dava por vencido apesar e um pouco desnorteado.
- Ainda bem que a humanidade não te deixou lesado, torna muito mais agradável matar você! - Susanoo gritou.
- Estou esperando.
Susanoo avançou novamente, mas dessa vez Daniel não desviou rápido o suficiente, o cabo da katana acertou Daniel no peito fazendo ele se chocar com a parede a três metros de distância. Susanoo não deixou nem mesmo Daniel se levantar e partiu novamente para o ataque com a espada em punho, pronta para descer em um ataque fatal sobre o renegado.
Daniel conseguiu desviar no última momento jogando seu corpo para o lado. A espada foi fincada na parede e ficou presa. Susanoo tentou tirar a espada e foi o mometo de Daniel revidar. Daniel chutou as pernas de Susanoo fazendo ele cair no chão, partiu pra cima dele com os joelhos sobre seu peito e desferiu uma série de socos que fizeram Susanoo desmaiar. Ele então pegou uma adaga presa ao sinto de Susanoo e o fincou em seu coração.
O sangue passou a escorrer pela armadura formando uma poça em torno do corpo, a luz do luar refletia na armadura e na poça de sangue, transformando a cena em algo macabro. A brisa fria passou e a tempestade que se ouvia ao longe se dissipou. As sombras ao redor da viela pareceram se concentrar em um único ponto, um pouco a frente de Daniel. Ele já não tinha mais condições de lutar, provavelmente havia fraturado uma costela ao chocar-se contra a parede, estava cansado, exausto na verdade. Mas se tivesse que enfrentar Lilith, não perderia isso por nada.
Ele se levantou, pisando na poça de sangue, ficou de pé fixando a escuridão a sua frente e então sorriu, de um jeito irônico e nem um pouco amistoso.
- Lilith.
As sombras tomaram forma, uma mulher morena emergiu delas, os cabelos na altura da cintura, os olhos negros como a noite, usava um corpete negro e uma calça jeans que davam forma ao seu corpo. Ela sorriu ao ver o renegado, já se conheciam há muito tempo.
- Fazem séculos desde a última vez, não? - Lilith disse
- Acho que a última vez foi... 1789, França, certo? - Daniel respondeu
- Você era um sans cullote enquanto eu desfilava com aqueles saiotes por aí. Foram bons tempos, muitas mortes, muita tortura, me diverti bastante... Acho que você também pelo que me lembro. - Lilith disse irônica.
- Sempre preferi matar demônios, nunca humanos, cumpria ordens somente, mas me cansei de ser cão de caça de arcanjos. Você e eu temos uma conta a resolver, lembra-se? - Daniel disse
Ela se aproximou do renegado, ficaram tão próximos que quase se tocaram, a respiração de mabos estava ofegante, os rostos próximos. Daniel passou a mão pela cintura de Lilith e a beijou intensamente, um beijo de séculos, uma pequena sinceridade envolvendo ambos. Então ele levou a mão a cintura dela novamente, deslizou por sua perna até tocar o cabo da adaga presa a um cinto na cintura da demônio, ele puxou a adaga e no memso instante as sombras se desfizeram e e ela reapareceu mais a frente dele.
- Mas não é hoje que resolveremos isso, Lilith, leve seu general caído embora daqui.
Uma forte escuridão tomou o local e logo se dissipou. Lilith e o corpo morto de Susanoo haviam desaparecido. Daniel olhou novamente para a adaga em suas mãos, traziam lembranças de outros tempos, tempos remotos, seu primeiro erro, sua primeira queda, o momento em que descobriu que já não era mais um anjo, mas um humano alado.
Ele prendeu a adaga na cintura e caminhou para tentar retirar a katana da parede, levou um tempo, mas depois de provavelmente distender um músculo e lesionar ainda mais a costela, ele conseguiu tirar a espada da parede. Em breve ele a usaria, só ainda não sabia disso.
Continua......................................................
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
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