segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cap.15 - Bottoms Up

Bruna olhava para Daniel e Odin, ela não entendia o que Daniel queria dizer, havia ainda algo que não tivesse sido esclarecido? O que mais poderia haver nessa história que Bruna já não soubesse?
Ela passou os últimos 3 anos treinando com Sarah, aprendendo os fundamentos mágicos, aprendendo a canalizar o fluxo de energia que fluía livremente dentro dela, aprendendo a usar a energia extracórporea, a energia da terra, a energia dos anjos. E agora depois de tanto tempo treinando, estudando, ela e Sarah tomaram rumos diferentes, tinham propósitos diferentes, mas se encontrariam no futuro.
- O que eu ainda preciso saber, renegado? - Bruna perguntou.
- Já está na hora de ela saber? - Daniel perguntou para Odin.
- Eu estou aqui! Não me ignore! - Ela bateu na mesa com força e todo o lugar pareceu tremer, ela ainda não era capaz de controlar sua raiva, não totalmente.
Daniel olhou para a face avermelhada da garota, estava avermelhada pela raiva. Ele sabia que se essa garota não aprendesse a se dominar mataria todos a volta dela. Por isso ele estava ali, naquele momento ela poderia ser mais forte do que ele, mas ele ainda tinha milhões de anos de experiência que poderiam derrotá-la.
- Garota, você sabe que uma grande batalha está por vir. Você sabe muito bem que sua presença é importantíssima, entretanto...
- Diga!
- Entretanto o primeiro passo não tem nada a ver com a batalha em si. Lúcifer está movendo seus anjos de encontro à terra. O inferno é como um corpo humano deitado de costas para o centro da terra, esse corpo é cortado por passagens que ligam os três grandes reinos: terra, céu e inferno. No início dos tempos onde acabava o paraíso começava o inferno, dois reinos lado a lado, mas com a criação da terra a ordem foi mudada, mas as passagens foram mantidas. - Daniel disse.
- Ao longo dos milhares de anos, as passagens foram desaparecendo, restringindo-se a pontos específicos, acessíveis apenas a almas humanas e raramente ao fluxo de celestiais e infernais. - Odin continuou.
- Mas restaram 2 passagens abertas entre os 3 reinos, acessíveis a quealquer tipo de seres. Uma é a cidade sagrada de Jerusalém e a outra, uma cidade perdida no meio da Amazônia, a antiga El Dorado. Lúcifer está buscando essa passagem para mover seus exércitos, mas ele ainda não a achou. - Daniel completou.
- O que nós devemos fazer é fechar essa passagem, impedir que Lúcifer consiga alcançá-la e do mesmo modo, impedir que Gabriel e Miguel tragam sua guerra para a Terra. Mas a passagem só pode ser fechada com um preço, um preço de sangue. Um ritual mágico, ancestral, ensinado à primeira elemental: Gaia. Esse ritual foi feito com o sangue dela e só pode ser quebrado da mesma maneira. Por isso você é importante, somente seu sangue pode fechar o portal.
- Querem dizer que para que a batalha permaneça igual entre os três lados, é necesário que eu morra? - Bruna perguntou.
- Sim. - Odin afirmou.
Bruna se levantou da mesa, caminhou até a janela e encarou a escuridão lá fora por alguns instantes, instantes que pareceram uma eternidade. Ela se preparara tanto, lutara tanto para ter que morrer ali? À beira da batalha? Era difícil de aceitar, sua alma lutava pela vida, não poderia aceitar a morte.
- Tem que haver outro jeito. - Ela disse.
- Não conheço nenhuma bruxa capaz de fazer o ritual sem o sangue de uma híbrida. Pelo menos não uma poderosa o suficiente. - Daniel disse.
- Eu conheço uma. - Bruna olhou para os dois sentados na mesa. - Minha antiga mestra.
- Posso chamar Sarah até aqui. - Odin disse.
- Não há tempo, ela terá de nos encontrar no caminho. - Daniel falou. - Não podemos perder nem mais um segundo.
- O que sugere? - Bruna perguntou.
- Mande ela nos encontrar em Brasília. Nós vamos até lá de avião, quando descermos, nos reuniremos e seguiremos para a Amazônia. - Daniel disse.
- Faz idéia de onde possa ficar esse portal? - Odin perguntou.
- Tenho uma vaga noção.
As lembranças vieram à mente de Daniel novamente, um turbilhão de eras passadas, batalhas antigas, tempos em que ele caminhava pelo mundo como o anjo da morte. Tempos que ele queria esquecer.















Continua................................................................

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