sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cap.11 - Forever Dead

Três anos se passaram. Nos céus, a guerra civil já se estendia ao longo de quinze anos com incontáveis baixas. As forças de Gabriel e Rafael lutavam arduamente para defender o paraíso celeste contra as forças de seus dois irmãos: Miguel e Uriel. Durante o terceiro ano, Miguel mandou um destacamento de 100 anjos à terra, para vigiar os humanos e colocá-los a caminho do apocalipse, Miguel tinha esperanças de que assim que a guerra celeste terminasse, e isso não deveria demorar já que as forças de Gabriel recebiam incontáveis baixas todos os dias, a Terra era o próximo passo no caminho da destruição. Liderando os anjos do destacamento estava Uriel.
A terra por sua vez caminhava rumo a destruição por si mesma não necessitando da interferência celeste. O planeta caminhava para uma inevitável e iminente Terceira Guerra Mundial, primeiro começou com incidentes com grupos de terrorismo virtual atacando à internet, mas logo a situação se agravou. Um incidente russo fez com que mísseis de uma antiga base soviética fossem lançados e devastassem a cidade de Istambul e consequentemente matando milhões de turcos. Um impasse mundial surgiu e o então presidente americano, partidário dos democratas e um pacifista, fosse à Moscou tentar entender o incidente, que desestabilizou a já tão frágil política euro-asiática.
O presidente americano foi sequestrado por forças libertárias da região da Chechênia. O vice-presidente, um republicano, assumiu o comando da nação e reuniu o exército, pronto para invadir a Rússia. Países europeus foram forçados a escolher um lado na disputa, fortalecendo antigas rivalidades nacionais e fomentando o nacionalismo exarcebado, por toda a Europa os conflitos se iniciavam.
Na Ásia a situação não era diferente, a instabilidade no Oriente Médio se intensificou, Irã aliou-se aos russos, sendo logo combatido por seus vizinho árabes, sofrendo sucessivas invasões israelitas, sírias e iraquianas, que eram supridas militarmente pela OTAN. Entretando, tendo em sua posse armas de destruição em massa, o Irã fez uso delas, rechaçando seus invasores, iniciando um conflito nuclear em pequenas propoções na região.
Os EUA moveram tropas para o Japão e prevendo uma possível insurgência na Coréia do Norte, atacou primeiro iniciando um conflito no outro lado da Ásia.
Na América Latina regimes nacionalistas estavam crescendo em países como Venezuela e Bolívia, mas ainda assim nenhum dos países assumiu um lado na guerra que estava para ser deflagrada. O Brasil caracterizava-se por um país neutro na disputa, tendo que enfrentar sua própria guerra civil. São Paulo decidiu iniciar um movimento separatista sendo amparado pela maioria dos estados sulistas e assim tropas militares foram deslocadas para Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Em Brasília estava instaurado um jogo de poderes, todos prontos a dar um golpe, esperando apenas o primeiro passo de seus oponentes.
No inferno Lúcifer preparava suas hordas para marchar à Terra, sob os olhos angelicais, mas abandonadas por suas forças militares, defendida apenas pelos elementais, divindades criadas por Deus para guiar a espécie humana, mas até mesmo eles enfrentavam divergências.
Alguns elementais estavam divididos e ingressavam nas hostes infernais, revoltados com a proibição inicial de Deus, por terem seus filhos mortos, mas os principais eram os descendentes dos elementais que eram recrutados por infernais para lutar contra humanos e anjos.
Uma grande batalha estava se aproximando, uma batalha que estava para devastar o planeta e o que todos esperavam era o próximo passo, o primeiro movimento do adversário para poderem fazer suas próprias jogadas.

Botafogo - Rio de Janeiro

Um rapaz caminhava sozinho, estava calor, a cidade enfrentava um dos verões mais quentes dos últimos 20 anos. Ele vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, dirigia-se para o bar em que sempre tomava uma cerveja antes de ir definitivamente para seu apartamento dormir. Não fazia isso porque gostava de cerveja, o que aliás detestava, fazia porque a bebida o fazia lembrar de outros tempos, tempos antigos onde ele caminhava entre os humanos, onde se sentia um deles, onde os protegia.
Ele estava lá quando a cerveja foi descoberta, fora enviado por Deus para guiar os hebreus e não deixar eles perderem a fé enquanto eram cativos no Egito. Ele foi chicoteado como toso os outros escravos, mas se sentia um deles, um hebreu, mas principalmente um humano. E foi esse sentimento que o levou a fazer coisas impensáveis, contestar ordens e se exilar no planeta.
Ele pagou pelas cervejas e caminhou para o apartamento, escolhera um simples, em uma rua pouco movimentada, mal iluminada, alguns diziam não ser segura, mas ele não se importava. Para alguém que já está caminhando sobre a Terra há mais de 30 mil anos, nada o assusta mais. Ele já não tinha mais nada a perder, não era humano, não era mais um anjo e nem um elemental, estava perdido entre os três fazendo seu próprio caminho, criando suas próprias escolhas. Ao virar a rua uma brisa suave começou a soprar e logo se transformou em um vento frio, um sopro gelado do oceano, as sombras atrás dele começaram a se mover e logo ele sabia que aquilo era uma emboscada.
Mas ele sorriu, não estava de bom humor, muito pelo contrário, o sangue corria rápido em suas veias, ele estava ansiando por uma batalha, era sua natureza, era um querubim guerreiro.
- Olá Daniel. - Uma voz fria e tempestuosa surgiu à sua frente entre as sombras, uma voz que ele conhecia, mas não ouvia há séculos.
- Olá Susanoo.












Continua......................................................

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