sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cap.7 - From the Inside

- Levante-se, anjo. - Volcano disse, sua voz ecoavam por toda a cúpula. - Precisamos lhe mostrar algo.
Daniel tentou se levantar, ainda sentia a fraqueza dos músculos da perna, parecia estar deitado há séculos, sentiu um formigamento nas pernas e dores pelo resto do corpo. Ele ainda não tinha certeza de como não havia morrido, a lâmina de Uriel tinha poder para destruir qualquer ser no universo, separar sua aura, ou seu espírito de sua carne.
Mas Daniel era um anjo, um guerreiro, nos áureos tempos foi líder de tropas, não iria se deixar vencer por suas dores. Para ele já bastava a humilhação de não ter suas asas, de nunca mais poder tê-las.
Ele se colocou de pé e então Oceanus lhe entregou um par de muletas, que inicialmente o anjo recusou.
- Aceite, não são para humilhá-lo, são para ajudar. Vocês anjos desenvolveram muitas emoções ao longo dos milênios, mas a pior delas definitivamente foi o orgulho. - Disse o elemental da água.
Ele pegou as muletas mesmo contrariado, era duro de ouvir isso de um ser que há poucos instantes ele nem sabia que existia, mas que parecia conhecer tão bem os seres celestiais.
Os três caminharam vagarosamente até uma das grandes aberturas da cripta. A abertura dava para dentro de um salão, muito parecido com os edifícios gregos, pela janela um pouco distante, Daniel pôde ver toda uma cidade que se estendia bem ao fundo do oceano, uma civilização inteira, composta por humanóides e outros tipos de seres dos quais ele só ouviu falar em lendas humanas, mas que ele jamais considerou como sendo verdadeira.
- Essa é a minha cidade, a cidade que construí ao longo dos milênios mas que fui obrigado a esconder para proteger meus irmãos, meus cidadãos e minha família. - Oceanus disse - Essa é Atlântida.
A lendária cidade perdida, Atlântida, a princesa das civilizações e provavelmente a mais avançada que o mundo já viu. Daniel pôde sentir a aura mística que envolvia o lugar, fazia sentido apesar de inacreditável, memórias vieram à sua mente, mas ele fez questão de esquecê-las. Há milhares de anos foi designado para vir à Terra e vistar a tão bela cidade, mas pouco antes de sua chegada a cidade foi misteriosamente engolida pelo mar. Lá estava ela, agora, diante de seus olhos, toda a sua beleza se espalhando ao longo do fundo do oceano.
Edifícios magistrais, prédios maiores que o que ele já vira na superfície, uma grande cúpula mágica parecia envolver a cidade. Nas ruas seres fantásticos se cruzavam sem dar importância, acostumados ao longo dos milênios com seus compatriotas. Na praça central em frente ao palácio onde estava um grande obelisco se erguia, um mármore negro que ele jamais havia visto, mas que emanava poder e ele podia sentir.
- É fantástica. - O anjo admitiu.
- Isso meu caro é porque ainda não visitou a cidadela do fogo. - Volcano falava orgulhoso.
Então um dos humanóides com a pele coberta de escamas apareceu e falou algo ao ouvido de Oceanus. Oceanus parou por um momento e sorriu, virou-se para Volcano e acenou a cabeça.
- A hora é chegada. O conselho está reunido. - Oceanus anunciou
- Como reunido? De que conselho você está falando? - Daniel perguntou.
- O conselho dos elementais, os regentes do planeta. Venha é hora de conhecer meus irmãos. - Oceanus virou as costas e foi caminhando em direção a uma porta enorme, ela se abriu ao seu toque e uma grande sala surgiu. Não havia um teto sobre ela, apenas a cúpula que envolvia a cidade. No centro da sala uma mesa enorme de mármore negro em formato redondo. Ao redor da mesa seres fantásticos, os regentes do planeta, os poderosos elementais, gigante poderosos e Daniel podia sentir isso. Se juntassem suas forças seus poderes superariam e muito os poderes do arcanjo Miguel.
Daniel foi introduzido na sala, os gigantes olhando para ele, pela primeira vez sentiu um frio percorrer sua espinha, um sentimento tão humano, ignorado pelos anjos. Mas Daniel já não tinha mais certeza se era ou não um anjo, não mais.
- Este é o celestial do qual você nos falou Oceanus? - Um dos gigantes falou. Ele tinha uma aparência européia, uma longa barba branca que caía sobre uma armadura de guerra vinking que ele trajava. Um de seus olhos era coberto por um tapa olho e em sua cabeça repousava um um chapéu vinking de guerra. Se parecia muito com as antigas lendas nórdicas sobre seus deuses.
- Sim, Odin. - Oceanus falou.
- Ele parece assustado. - Uma voz feminina falou. A voz era doce, mas profunda, como se houvesse sabedoria em cada palavra, mesmo as mais simples. A mulher usava uma armadura de guerra, tinha os olhos cinzentos e um cabelo loiro que caía ao longo de suas costas enquanto seu elmo repousava sobre o mármore negro.
- Ele nunca ouviu falar de nós Minerva, como espera que ele reaja? - Volcano falou.
Oceanus e Volcano se sentaram e apontaram uma cadeira para Daniel. Ele podia sentir os olhos dos gigantes cravados sobre si, alguns tinham curiosidade mas a maioria parecia apenas desconfiada dele.
- Acha realmente que deveríamos entregar essa tarefa a um "anjo"? Você sabe muito bem o que eles fizeram ao longo da história, Oceanus, você sabe como foi obrigado a proteger Atlântida desses seres. Lembra-se de como o Pai deixava eles fazerem o que quisessem, como se o oitavo dia nunca houvesse terminado.
- Oitavo dia? - Daniel abriu a boca para perguntar, jamais ouvira falar daquele dia, mas no mesmo momento em que abriu sua boca percebeu que não deveria interromper o conselho.
- Oitavo dia é o dia da nossa criação. - Volcano falou - Quando Deus descansou no sétimo dia, reuniu suas forças e nos criou, esse talvez tenha sido um erro. Nós fomos criados a partir da própria essência dele sendo manifestada sobre a terra, é como se ele tivesse dado a nós seu poder. Mas com isso ele ficou fraco durante milênios, sua criação sugou suas energias. Ele se isolou, mas permaneceu no céu para reger o universo sem deixar que os anjos o percebessem. Depois de Lúcifer, outra rebelião levaria o céu e a terra ao caos, como está prestes a acontecer.
- Acho que devemos confiar nele. E além do mais esse garoto já não é um anjo. - Oceanus disse.
- O que quer dizer com isso? - Um outro gigante perguntou - ele vestia um manto negro como a noite, mas bordado com estrelas, como se eles vestisse o próprio céu.
- Urano, esse anjo foi quase morto pela espada de Uriel, o arcanjo da noite.
- Ele deveria estar morto. A espada de Uriel foi criada para destruir qualquer ser no universo. A única espada forjada para combatê-la é a de mármore negro. Mas nós sabemos que todo o mármore negro existente está aqui embaixo e a única espada forjada dele está nas mãos de Miguel. - Urano disse.
- Por que ele não está morto, Oceanus? - Minerva perguntou
- Quando hipocampo o trouxe para mim ele estava morrendo, seu espiríto estava preso por um fio invisível ao seu corpo, sua graça já havia sido dissipada, era um humano sem alma.
- O que você fez? - Odin falou sério para o irmão.
- Eu dei a ele um pouco da minha própria essência. - Oceanus falou com calma.
Odin bateu na mesa com a mão fechada, claramente estava irritado, uma tempestade pareceu surgir em seus olhos e trovões ecoaram ao longe.
- Você estava louco? Sabe o que isso significa? Você burlou a nossa regra principal, você entregou seu poder a um anjo. Não podemos confiar nele, assim como somos sua família, os celestiais são a dele! Se ele nos trair tudo estará perdido! - Ele trovejava as palavras.
- Calma irmãos. - Minerva interrompeu. - Ela ficou calada por uns instantes, olhava para todos dentro dos olhos. - Oceanus, você colocou nossas vidas, a vida de nossa família e de nossas cidades nas mãos desse renegado. Você tem certeza de que poderemos confiar nele?
- Sim, eu tneho. Há muitos anos venho observado esse anjo, ele foi renegado por sua família, caminha sozinho pela terra, veio com os primeiros anjos para guiar os humanos. Mas foi forçado a fazer coisas das quais se arrepende, tirou a vida de humanos que ele jurou proteger e até hoje isso o atormenta.
Daniel olhou espantado para Oceanus, como ele poderia saber tanto se nunca nem tinham se encontrado? Era como se sua vida fosse um livro aberto para o elemental. Ele se sentia fraco, impotente diante de tudo o que acontecia a sua volta, alvo de discussões, estava cansado de permanecer passivo diante de tudo à sua volta. Ele se forçou a levantar, sem a ajuda das muletas, forçou a ficar de pé sobre suas pernas fracas e ignorou toda a dor que cruzava seu corpo. Olhou para cada um dos gigantes na mesa que encerraram a discussão para olhar para ele.
- Eu não sou um humano, não sou um elemental, não sou nem mesmo um anjo. Talvez eu seja nenhum deles, talvez eu seja os três. Por anos me condenei quando falhei com minha verdadeira família: os humanos. Fui rejeitado por meus irmãos e passei a maior parte da minha existência caminhando sobre este planeta. Não me importa se confiam em mim ou não, também não gosto de algumas caras aqui, mas cansei de ouvir tudo calado. A espécie humana está abandonada à própria sorte, enquanto a guerra é travada no céu, Lúcifer está caminhando para a terra. Coisa que em breve o próprio Miguel pode fazer. Será o fim a menos que vocês impessam isso, porque se não o fizerem, eu farei isso sozinho.
Todos os elementais olharam para ele, um silêncio que parecia durar séculos até que foi quebrado pelo próprio Odin.
- É o suficiente pra mim. - Ele disse
Urano sorriu e indicou a Daniel novamente o lugar, ele via estampado na face do anjo a dor que permanecer de pé lhe causava. Daniel se sentou e por pouco a dor não o fez desmaiar.
- Como devemos chamá-lo, guerreiro? - Urano perguntou
- Daniel.
- Bem Daniel, sente-se, existe uma parte da história de sua própria família que você não conhece.















Continua................................................................

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