segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cap.9 - You Win or You Die

Cabo Frio - Dias Atuais

O monza estacionou sobre a grama de um velho chalé na beira da praia. Um vento frio soprava sobre o lugar, as nuvens negras cobriam o céu, tapavam as estrelas. Do carro desceram uma mulher ruiva carregando uma outra mulher mais velha com uma mancha de sangue nas roupas, com os cabelos e as mãos queimadas, atrás dela saía correndo uma garota, chorando. As três entraram na casa, a ruiva deitou a mulher ferida sobre sua cama e gritou ordens para a garota, pedidos específicos, pedidos para uma conjuração que não deveria ser feita, uma magia proibida entre as wiccas com sérias consequências a quem a usasse.
A garota rapidamente trouxe tudo para sua mestra, conhecia o lugar, fora ali que poucos meses antes começara sua iniciação, era tudo tão diferente naquela época e naquele exato momento a garota daria sua vida por momentos como aquele novamente. A mulher olhou dentro dos olhos da jovem garota e parou de arrumar os objetos para realizar a conjuração.
- Mestra! Continue! Por favor, continue... - as lágrimas voltaram a correr pelos olhos da garota.
- Já não há mais nada a fazer. - A ruiva abaixou a cabeça - Sua mãe está muito ferida Bruna, ainda que o feitiço funcione, ela ainda estaria às portas da morte. Tudo o que eu faria seria dar alguns minutos a você e a ela, mas não posso trazer ela de volta.
Bruna ajoelhou aos pés da cama, as lágrimas correndo pelo seu rosto. Abraçou o corpo inerte de sua mãe bem junto ao seu, já não se importava se estava suja de sangue ou de terra, queria apenas ficar ali. A ruiva saiu do quarto, já não havia nada a fazer, já não havia porque ela continuar ali.
- Mãe, me perdoa! Eu nunca deveria ter saído, nunca deveria ter deixado você e Natalie sozinhas, me perdoa... Eu te amo mãe, eu sempre vou te amar. - Bruna falava aos soluços.
Então ela sentiu uma leve pressão nos seus dedos, era a mão de sua mãe que chamava sua atenção para ela. Martha tentava abrir os olhos, mas este simples esforço já sugava sua energia restante.
- Não fale mãe... descanse. - Bruna tentava mentir para si mesma e para mãe, queria acreditar que iria ficar tudo bem.
- Filha... não é culpa sua... Por favor... sua irmã... - Martha tentava fazer as palavras saírem de sua boca, mas era inútil, ela só sentia o gosto do sangue.
- Mãe.
Bruna puxou Martha para junto de si, como se naquele abraço pudesse segurar a alma da mãe em seu corpo.
- Eu sempre vou te amar filha...
- Eu sempre vou te amar mãe.
As últimas palavras saíram como um suspiro e Martha então fechou seus olhos e a cabeça caiu para trás. Ela já não estava ali, somente o corpo sem vida, somente a carne. Um trovão soou ao fundo e fez as janelas do quarto tremerem.
Algum tempo se passou, poderiam ser minutos, horas, não fazia diferença. A mestra surgiu na porta do quarto com uma caneca de chá quente. Ela acreditava que aquilo faria Bruna sentir-se um pouco melhor.
- Beba Bruna.
- Eu não preciso disso, Sarah, minha mãe precisa de mim, não posso deixar ela agora.
- Ela já se foi Bruna, ela já se foi.
- Não!
Sarah ajoelhou ao lado de Bruna e a abraçou, ela podia sentir a dor da pupila, podia sentir o medo, a fúria, tudo, ela sabia como era aquela dor, sabia a dor de perder tudo aquilo que amava. Bruna apoiou o corpo da mãe e abraçou Sarah com todas as suas forças.
- Vai ficar tudo bem minha criança, vai ficar tudo bem.
- Por que, mestra? Por que?
Um novo trovão ribombou do lado de fora da casa, agitando novamente as paredes. A porta da sala abriu de sopetão deixando o vento frio e a chuva fina entrarem na casa. Na porta, parado de pé estava o anjo caído, o destruidor, Asmodeus.
- Espero não estar interrompendo nada. - Ele sorriu - Sabe ruivinha, você realmente me machucou quando me jogou no fogo, me desculpe se eu devolver 100 vezes mais, ok?
Sarah levantou e colocou-se na frente de Bruna, já bastava de mortes por aquela noite. Ela começou a conjurar um feitiço, mas mal teve tempo de começar a falar, Asmodeus havia sido mais rápido e suas mãos estavam agarrando o pescoço da ruiva prendendo ela na parede.
- Chega de feitiços por hoje, bruxa.
Bruna se levantou, pegou a pequena bandeja no chão que serviria para o feitiço da mãe e bateu com força na nuca do demôni fazendo ele soltar Sarah.
- Chega! - Bruna gritou.
Asmodeus recuou um passo, sua cabeça agora latejava. Sarah caiu no chão com a respiração ofegante enquanto Bruna recuava, agora que o demônio olhava furiosamente para ela.
- Eu ia matar sua mestra primeiro, mas já que você insiste!
Ele correu para a garota quando foi impedido de uma forma estranha. Um trovão despedaçou a janela, entrou no quarto e atingiu o demônio lançando-o para fora do quarto. Bruna olhou para a mestra, mas não havia sido ela quem invocara o trovão.
Então uma figura surgiu na porta da sala. Um homem com uma longa barba caída sobre a armadura, mas não era uma armadura qualquer, uma armadura viking. Usava um tapa-olho sobre um dos olhos e um chapéu com chifres. Na mão estava uma espada curta e pendurado na cintura um pesado martelo. Seria impossível para um humano comum carregar todo aquele peso, mas o velho não parecia um humano comum.
- Mas o que diabos! - Asmodeus gritou e tentou se desviar do ataque do velho sobre ele.
Mas ele não conseguiu evitar, a espada curta desceu sobre o peito de Asmodeus cravando-se em seu coração. O demônio urrou de dor, mas estava preso ao chão pela espada. Então o viking tirou o martelo da cintura e com ele esmagou a cabeça do demônio, fazendo com que os pedaços se espalhassem pela sala, sujando até mesmo sua armadura de vermelho.
Uma nuvem negra surgiu no teto da sala e logo se dissipou, Asmodeus não iria mais incomodar, pelo menos não por um bom tempo.
- Vocês estão bem? - O velho perguntou, parecia preocupado.
Sarah se levantou e caminhou em direção ao homem e o abraçou.
- Obrigada, tio.
Ele retribuiu o abraço da mulher e então olhou para Bruna, ainda estava preocupado.
- E você criança?
- Estou... obrigada. Quem... quem é você?
- Meu nome é Odin.



















Continua......................................................................................

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