A chuva tamborilava nas árvores e ruas de um condomínio residencial localizado em Unamar, distrito do município de Cabo Frio. Era alta temporada e a chuva atrapalhava os planos de turistas que vinham à região em busca de praias, trilhas, festas bem como frustrava os lucros de muitos comerciantes. O condomínio residencial, um dos mais conhecidos da região permanecia cheio, havia uma quantidade considerada de moradores se comparada a de turistas que alugavam casas por ali o que dava ao lugar um aspecto familiar e aconchegante.
Mas aquela noite era diferente... Já passavam das 3 da manhã, uma pequena neblina descia sobre as árvores atrapalhando a visão das estrelas e da própria lua. Um silêncio mortal reinava sobre as trevas envoltas em neblina. Era um fato completamente fora do comum encontrar neblina aliada à chuva, principalmente a 300 metros da beira da praia.
Passos apressados singravam as pequenas poças formadas pelas ruas do condomínio, uma garota arfava e corria, desesperada, o suor misturado às lágrimas que escorriam pelo rosto. Era a própria face do desespero, tentava gritar mas parecia que nenhum som brotava do fundo de sua garganta, ela sabia que encontraria seu fim antes mesmo de o sol aparecer no horizonte, mas ainda assim corria agarrando-se ao único fio de esperança que a mantinha de pé. Se conseguisse chegar em casa estaria segura, pelo menos era o que pensava, era no que precisava acreditar.
Atrás dela uma figura medonha corria em sua direção, a forma da besta lembrava um lobo, mas concerteza muito maior do que qualquer espécie já vista na terra. O lobo abria a boca e exibia os dentes afiados, prontos para dilacerar a carne da garota assim que alcançasse. Ele se apresentava de tal forma que parecia estar sorrindo, satisfação no medo da garota, no seu despero, em sua dor.
A garota estava chegando em casa, mais 20 metros e poderia abrir sua porta, fechar-se em casa e encerrar aquele pesadelo. O lobo aumentou o ritmo de suas passadas, a saliva escorrendo pelos cantos da boca daquela figura demoníaca. A garota podia sentir o bafo quente do lobo em sua nuca, se ela parasse por um momento, se vacilasse, era o fim.
O lobo deu um salto sobre a menina, ela conseguiu livrar-se por muito pouco da investida, mas com a distração tropeçou em pequeno buraco na rua formado pela chuva e caiu. Tentou se levantar na mesma hora, sentia o sangue escorrendo em filetes bem finos por seus cotovelos.
O lobo veio avançando devagar em sua direção, paciente, calmo, saboreando cada momento, imaginando o sabor que a carne da garota teria entre seus dentes. Ele uivou. O uivo fez a menina tremer, fez as janelas da vizinhança tremer, mas nem sinal de vida de seus vizinhos. Pareciam alheios a tudo que ocorria com ela, era impossível não ouvir.
- Deus... - Ela falou entre os dentes - Por favor... Me ajude.
- Temo que seu Deus não possa ouvi-la menina, se nem mesmo seus vizinhos escutam seus gritos de terror, acha mesmo que Ele vai dar alguma atenção a você? - A voz surgia atrás dela, as sombras que pareciam cobrir a árvore na beirada da calçada tomava forma, se materializava no corpo de uma mulher. Ela trajava um corpete negro e uma calça que terminava em botas de couro negro. No lugar dos olhos, pareciam haver sombras e aquilo só serviu para deixá-la em um estado de terror ainda mais profundo.
- Quem... O que são vocês? O que querem de mim? Por que me perseguem? Não tenho dinheiro se é o que querem... - Ela suplicava, as lágrimas já escorriam pelo seu rosto sem ela perceber, o ar lhe faltava, em breve teria um colapso.
- O que quero de você é bem mais valioso garota, venho atrás da mais cara das moedas - A mulher se agachou ao lado da garota e passou o dedo pelo braço dela, recolhendo uma pequena gota de sangue e levando ela aos lábios exibindo uma terrível cara de prazer. - Venho em busca da sua alma.
- O que? Por que? O que eu fiz? Quem são vocês?
- Isso não interessa mais a você, porque em breve já não vai precisar dessas respostas.
A mulher levou a mão ao coração da menina, forçando uma abertura, rasgando a carne, fazendo a garota se retorcer de dor, gritar, mas inutilmente pois ninguém a ouviria. A mão da mulher já sentia a carne pulsando e o sangue jorrando e tudo lhe dava ainda mais prazer.
- Solte a wicca agora, Lilith. - A voz surgiu como um trovão atrás dela.
Ela girou a cabeça e a figura de pé atrás dela lhe causou medo, retirou de seu rosto todo o prazer que antes estava estampado. Um homem alto, corpulento, aparentava não ter mais de 25 anos, exibia uma barba rala e cabelos negros que moldavam o rosto fino do rapaz. De suas costas saía um par de asas brancas como a neve, onde nas pontas reluziam como o metal. Usava uma camiseta branca e um jeans surrado, em uma das mãos segurava uma espada longa, como as da idade média, mas com uma diferença, essa espada reluzia como uma chama de fogo. Na outra mão segurava uma pequena pistola, uma beretta.
- Não me faça repetir, Lilith. - Ele falou mais uma vez e tudo indicava que seria a última.
Lilith sorriu e sibilou para o lobo que estava um pouco distante dela:
- Ataque Hati, preciso de mais alguns minutos para poder retirar toda a essência da pequena bruxinha aqui... Ela é resistente.
O lobo obedeceu partindo em direção ao guerreiro, saltando em sau direção, as garras prontas para despedaçar o que encontrasse. O guerreiro desviou do primeiro ataque e disparou a arma na direção do animal. Tinham oito balas no tambor, mas a perícia e a maestria com que atirava era tão perfeita que conseguiu cravar as oito balas no corpo do lobo. Mas Hati ainda estava de pé, sangrava, mas a fúria em seu olhar só parecia ter aumentado, os olhos agora vermelhos de fúria, anunciavam um novo ataque, o lobo tentou fixar sua posição antes da nova corrida, as balas perfuraram sua carne, mas não seriam o suficiente para derrubá-lo.
O guerreiro jogou a arma no chão e preparou sua guarda para atacar o lobo com a espada flamejante. Hati partiu na direção do guerreiro, as garras novamente em riste, despejando sucessivos golpes em cima do guerreiro alado. Mas o guerreiro desviava do ataque e tentava o contra ataque, mas o lobo era rápido, não abrindo brechas para o guerreiro fincar sua espada e decepar a cabeça do lobo. Mas ao mesmo tempo Lilith ia sugando a essência da menina para fora do seu corpo e se aquela luta se prolongasse todo aquele esforço seira em vão.
Em um movimento rápido, Hati atacou, mas o guerreiro se desviou, ele girou o corpo ficando de frente para a lateral do corpo da fera, Hati não foi rápido o suficiente e a espada flamejante desceu sobre a cabeça do lobo. O corpo inerte desabou no chão enquanto a cabeça rolava para o gramado de um dos vizinhos.
O guerreiro caminhou na direção de Lilith e da garota, mas era inútil, o corpo inerte era jogado no chão enquanto Lilith se erguia, um sorriso demoníaco desenhado nos lábios. Ela sorriu uma última vez e como uma brisa desapareceu nas trevas, mesclando-se a elas.
O guerreiro se ajoelhou dante do corpo da menina, aquela cena era triste até mesmo para um anjo. Ele repousou sua mão sobre o peito da menina e fez uma pequena prece, a mão se iluminou e era como se um pequeno sol surgisse no meio da rua. Ele estava fazendo uma transfusão, estava trocando sua vida pela da garota, estava dando a ela sua essência.
Continua...............................................
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
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Uee,abriu outro blogger?
ResponderExcluirVou ler esse jaja mas bem queria o final do outro...